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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Dois Pesos... Porém Pesados...

Maria Rita Kehl foi demitida do jornal O Estado de São Paulo, por este artigo. Este jornal que faz parte da imprensa que reclama da liberdade da imprensa. Dou a ela meus parabéns por este artigo e meu pesar por seu emprego.
Eu, como muitos brasileiros, compartilho com ela a indignação que senti nesta eleição, pelas dezenas de e-mails caluniosos que recebi, pelo qual nem passaram por averiguação da verdade, nem sequer por uma avaliação de quão irracional eram, por parte de quem os reenviou. E estes não se deram conta (ou não quiseram), que estavam sendo usados por aqueles que não se importam com esse povo que passou fome, miséria absoluta, por tantos governos que NUNCA olhou por eles.
Portanto, se vc fez parte destas pessoas, ou mesmo se não, leia este artigo, que será muito esclarecedor.
Um grande circo foi montado nesta eleição. Triste e patético. A Folha de São Paulo foi (e está sendo) "au concour". Um desespero tamanho desta elite que não quer o nosso bem. Nunca quis. Só quer o seu quinhão e o povo, ah... às favas!
Não há propostas do outro lado nesta campanha, só a tentativa de desconstrução da candidata do governo. Você que votará (e espero de todo coração que mude de ideia) no Serra neste 2º turno, já se deu conta disto? Você que vota no Serra, me responda, quantos e-mails recebeu ou enviou falando de suas propostas e do que fez por este país? Eu mandei muitos favoráveis a minha candidata (meus contatos que o digam!!!).
Então, meus caros, hora de parar e avaliar. Pensar. Discutir. Não ser passivo, pois é tudo que querem de você para manter seus "castelos" e seu "bon vivant". Seja o agente de sua vida!
O Brasil hoje tem a chance de mudar. Não dê às costas. Você pode fazer a diferença!

Maria Rita Kehl é psicanalista, ensaísta e autora dos livros: A Mínima Diferença - ensaios, Deslocamento do Feminino, Processos Primários - Poemas, Estação Liberdade, entre outros.
"A repressão é a condição
para a obediência.
Quem não sabe o que quer,
quer aquilo que lhe dizem
que ele dever querer."

Agora deliciem-se com este texto maravilhoso!

DOIS PESOS…
por Maria Rita Kehl, no Estadão

Este jornal (Estadão) teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Pesquisas - Método comprovado de indução de votos


Pesquisa publicada no site do IG em 28 de setembro de 2010
Em junho ou julho, li em algum lugar (não lembro onde, vou procurar depois com mais calma e posto aqui), que estavam insuflando os números da Dilma nas pesquisas e que próximo às eleições ela começaria a cair.
Na época imaginei que fosse para criar um clima de “já ganhou” para que tanto a candidata, como seus militantes esmorecessem. A única lógica que via nisto.
Hoje percebo que fui tola. Não era esta a ideia.
A intenção na realidade era que com a publicidade negativa em boa parte fabricada pela nossa maravilhosa e isenta imprensa, desse a entender que as pessoas estavam mudando seu voto em virtude destes “escândalos.”.
Deu certo, como vimos no último dia 03.
E me dou conta que não é só nossa imprensa e a direita neste país que luta contra a democracia, mas também, nossos institutos de pesquisa.
Usam de toda forma de manipulação e distorção dos fatos para chegarem aos seus objetivos.
E o que isto tem a ver com a imagem acima? Apenas prova que esta distorção existia. Apesar de informados, nem se deram o trabalho de alterar a matéria, apenas o gráfico e a segunda chamada foram atualizados e isto dias depois. Veja aqui >> Pesquisa IG de 28 de outubro <<
Mas infelizmente as pessoas tem sua parcela de culpa, pois alienando-se do processo político, ficam extremamente manipuláveis e fáceis de coagir. Tornam-se apenas títeres deste jogo. Temos que nos tornar conscientes de nossos papéis perante à sociedade e ao nosso país, antes de almejarmos uma democracia plena.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Eleições - Minhas impressões

O que pra mim foi o destaque desta campanha, foram os ataques de baixo nível à candidata Dilma Rousseff. Não se ouviram propostas que se sustentam dos outros candidatos, nem da Marina, de quem eu esperava mais,  e ao invés de trabalharem nisso, partiram para a calúnia e difamação. Não só dos partidos, como de seus simpatizantes, que aceitaram tudo calados, medidos a cada um por sua conveniência.
Outro ponto imensamente triste e que também faz com que no final, o Brasil saísse perdendo, pois afeta nossa imagem lá fora, foi nossa triste e arcaica imprensa. Foram tantas inverdades, ou verdades aparadas para seu próprio proveito, que a deixou, e creio que não só a mim, desacreditada.
Sou totalmente favorável a que tudo que prejudica nosso país, ou nossas instituições seja divulgado, investigado e julgado e que estes paguem por seus erros. Mas não é assim. É escancarado apenas o que lhes convém.  Meias verdades, como o famoso comercial da Folha de São Paulo, que mostra como a realidade pode ser distorcida.
Tudo relacionado ao PT, ou aos contrários a seus interesses, é jogado no ventilador, sem eira nem beira.
Mas do outro lado silêncio. Um exemplo, que está fresquíssimo na memória de todos, a ligação de José Serra a Gilmar Mendes, solicitando que este faça vistas ao processo sobre a exigência de dois documentos para votar. Fosse a Dilma, ou qualquer pessoa ligada ao PT seria manchete de todos os jornais e com direito à reportagem de dez minutos no Jornal Nacional. E o que ouvimos? Silêncio.
Ou outro escândalo que tentaram montar e que também não se sustentou: a violação de sigilo de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB. Mas “esqueceram” que a mesma deixou os dados de milhões de brasileiros há alguns anos atrás, abertos para qualquer um com acesso à Internet.
Poderia citar aqui, dezenas deles. Mas não vem ao caso. Exemplifiquei apenas para esclarecer meu ponto de vista, ou seja, pratos da balança iguais, não pendendo de um lado ou de outro. Total isenção, sei que é impossível, pois não creio que exista uma única verdade, mas no mínimo, o mais próximo dela. Quem ganha? A nação.
Precisamos da informação para tirar nossas próprias conclusões, não que alguém o faça por nós.
Mas talvez, este seja um sonho, portanto, cada um tem que se esforçar para pensar por si, fazer seu prato e não aceitar o PF que nos é ofertado diariamente. Eles não querem que pensemos. Façamos então valer nossa cidadania e... pensemos.
Nesta eleição voto Dilma, voto no PT, mais confiante do que nunca. É uma mulher de fibra, que por sua própria história, sei a garra com que ela lutará por cada um de nós, ricos ou pobres, pretos ou brancos. E meu “feeling” me diz, que o Brasil terá muito orgulho dela, assim como a grande maioria teve de Lula.
Lula levou-nos a um patamar nunca imaginado, até por quem votou nele, trouxe dignidade ao nosso povo, e resgatou o orgulho de ser brasileiro, que muitos haviam perdido.
Muitos têm vergonha deste homem, por ser apenas um operário. Como já disse várias vezes, eu tenho orgulho. E não um orgulhosinho qualquer: um grande orgulho. O fato de ter estudado menos do que nossa “maravilhosa e educada” elite acadêmica, em nenhum momento o desmereceu. Pelo contrário, o colocou acima, o enalteceu. Esta “deficiência” fez com que ele tivesse que provar que era capaz. E provou.
Lá fora, jornais de peso, como o Financial Times, The Independent, New York Times, citando apenas os que me lembro de “bate e pronto”, pois li dezenas, e em sua maioria, enaltecem Lula e sua provável sucessora. Tratam Dilma como a nova “Iron Lady” (Dama de ferro), do cenário mundial. Sim, meus caros, não digitei errado, do Cenário Mundial.
Sim, eles estão olhando para nós. O Brasil existe agora. Não mais por sua corrupção latente, carnaval e futebol, mas um país que cresce economicamente e volta o olhar para os seus filhos.
Há um longo caminho a trilhar. Muitos, os insatisfeitos, aqueles que por mais que você faça, nunca reconhecerão, não se dão conta (ou não querem). Exigem de um único homem e em míseros oito anos, o que ninguém nunca fez por este país. Ele fez. Já colhe hoje algumas destas glórias. Outras serão em longo prazo, por isto nossos políticos não se interessavam (ou se interessam), pois não há um retorno imediato, mas o chute inicial foi dado. E acredito que hoje, a única pessoa habilitada para esta continuidade é Dilma. E ela nos dará um plus, será a nossa Dama de Ferro, mas com certeza, com a sensibilidade feminina que este mundo precisa.